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Erros no roteiro de “Mulher Maravilha” não apagam avanços para universo DC

Tentando estabelecer a criação de um universo próprio nos cinemas, com interligação de histórias e personagens, algo que a Marvel já tem consolidado, a DC Comics ainda mostrar engatinhar nessa tarefa. Derrapando, pelo menos até aqui, nas narrativas e em pontuais efeitos visuais, a empresa mostra, ao mesmo tempo, que tenta correr atrás do prejuízo. Em “Mulher Maravilha”, último filme lançado pela empresa, é possível observar alguns avanços, que podem ser importantes para influenciar outras produções. Mas, isso ainda não significa que todos os erros foram superados.

Dirigido por Patty Jenkins, o longa traz a origem da heroína da DC desde a infância, passada na ilha de Temiscira, quando a garota anseia por aprender técnicas de combate com Antiope (Robin Wright), a principal guerreira entre as amazonas. A mãe da menina, a rainha Hippolyta (Connie Nielsen), no entanto, quer evitar que a filha se aproxima desse mundo de batalhas.

Anos depois, já uma mulher, Diana (Gal Gadot) presencia a chegada de Steve Trevor (Chris Pine) na ilha das amazonas, um lugar que deveria passar despercebido para o resto do mundo. Ele, que estava fugindo do exército alemão em plena guerra, acaba mostrando o caminho do lugar para os inimigos, que atacam Temiscira.

O primeiro contato com a guerra faz com que as amazonas liguem os acontecimentos ao retorno de Ares, o deus da guerra e filho de Zeus, que desapareceu depois de um conflito com o pai. A presença de Ares influencia os homens aos conflitos bélicos e, por conta disso, Diana resolve partir, ao lado de Trevor, para tentar encontrar e derrotar o deus da guerra. Para isso, ela se apodera de alguns objetos criados pelos deuses, como uma espada, um escudo e um laço, que podem ajudá-la a derrotar o inimigo.

No mundo fora da ilha, Diana acaba conhecendo os hábitos dos homens e, ao mesmo tempo, suas contradições. Ela passa a acreditar que Ares está disfarçado como o general alemão Ludendorff (Danny Huston), que planeja usar os conhecimentos da Dra. Maru (Elena Anaya), mais conhecida como Dra. Veneno, para criar um gás que pode prolongar os efeitos da guerra.

Sem dúvida, “Mulher Maravilha” representa um avanço importante para o universo da DC nos cinemas. A construção da origem da personagem é feita através de uma narrativa mais madura do que as anteriores. Apesar de curta, a primeira parte do filme, na ilha de Temiscira, é a mais bem resolvida do filme, mesmo apelando para alguns recursos batidos para apresentar a lenda das amazonas e dos deuses. Também houve um avanço em acrescentar humor ao roteiro, com tiradas melhores do que o habitual, mesmo que nem todas tenham o efeito desejado.

O amadurecimento da narrativa, no entanto, não é aplicado em todo o filme. Em alguns momentos, fica evidente que o roteiro não resistiu aos clichês e a algumas incoerências para caminhar. Na primeira parte, por exemplo, o conflito entre o desejo de Diana e o segredo guardado pela mãe dela não é bem desenvolvido e, por isso, soa quase inútil ao enredo. O clímax também fica prejudicado por isso, uma vez que os conflitos com o vilão são adiados demais ao longo do filme e ficam restritos a poucos minutos de tela, o que enfraquece a história e não justifica a ameaça.

Cabe aqui, também, uma crítica ao visual do filme. Na primeira parte, os efeitos visuais são muito bem feitos e a plástica das cenas é bonita. Isso se sustenta até a parte final do longa, na batalha entre Diana e o vilão. Ali, para retratar o caos e explosões, a produção apresenta um aspecto visual muito feio, mal feito mesmo, que transmite muita superficialidade e lembra alguns dos piores momentos de “Batman versus Superman – A Origem da Justiça”.

Em um balanço final, “Mulher Maravilha” resulta melhor do que os filmes anteriores da DC, com um roteiro mais bem resolvido, apesar dos clichês facilmente identificáveis. Problemas visuais e a má condução de alguns conflitos da história, no entanto, se repetem e evidenciam o “calcanhar de Aquiles” desse universo de heróis, que ainda tem tempo de corrigir as falhas.

MULHER MARAVILHA

COTAÇÃO: ★★★ (bom)

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