Filmes, Listas

Glenn Close e Amy Adams: as novas vítimas do efeito Leonardo DiCaprio

A vitória de Olivia Colman na categoria de melhor atriz do Oscar, apesar de não poder ser considerada injusta, foi a grande surpresa da cerimônia deste ano. Vencedora de praticamente todas as premiações anteriores, inclusive do SAG Awards, dado pelo sindicato dos atores norte-americanos, Glenn Close acabou sem uma estatueta da Academia pela sétima vez. Ela, no entanto, não foi a única frustrada naquela noite.

Reconhecida como uma das melhores atrizes em atividade de Hollywood, Amy Adams emplacou, neste ano, a sexta indicação ao Oscar, mas saiu da festa de mãos abanando mais uma vez. A atuação dela em “Vice”, interpretando a esposa do ex-vice-presidente norte-americano Dick Cheney, não superou o favoritismo de Regina King, a mãe amorosa e forte de “Se a Rua Beale Falasse”.

Tanto Amy Adams como Glenn Close saíram da premiação, no entanto, com um novo título: são as novas vítimas do efeito Leonardo DiCaprio. A comparação com o ator se dá pelas inúmeras indicações e bons trabalhos reconhecidos, que não foram capazes de render uma estatueta do principal prêmio da indústria do cinema. DiCaprio foi indicado pela Academia por ótimos papéis, como em “Diamante de Sangue” e “O Lobo de Wall Street”, e chegou a ser esnobado pela premiação em “Os Infiltrados” e “Django Livre”. O reconhecimento veio apenas em 2016, com “O Regresso”.

É bem verdade que não é necessário ter um Oscar para ser considerada uma grande atriz e, com certeza, Amy Adams e Glenn Close já provaram isso. Mesmo assim, não faria mal que os trabalhos delas fossem reconhecidos com o principal prêmio do cinema, que não deixa de ser uma consagração. 

Com as derrotas deste ano, as duas atrizes assumem o “posto” de DiCaprio e ficam na expectativa por um próximo trabalho que possa proporcionar a elas uma indicação e, quem sabe, a tão sonhada estatueta da Academia.

Pensando na trajetória e nas indicações de Glenn Close e Amy Adams, vamos relembrar algumas personagens que poderiam ter resultado em estatuetas do Oscar para as atrizes, mas acabaram não rendendo o tão esperado troféu:

GLENN CLOSE

– Atração Fatal (1987)

Até hoje, “Atração Fatal” é um dos trabalhos mais lembrados de Glenn Close, que rendeu a ela a quarta indicação ao Oscar da carreira. A vitória, no entanto, não veio e a estatueta acabou indo parar nas mãos de Cher, premiada pelo desempenho em “Feitiço da Lua”. Dirigido por Adrian Lyne, “Atração Fatal” traz Glenn Close como uma executiva que tem um caso com o personagem de Michael Douglas. O fim do relacionamento, no entanto, não é bem aceito por ela, que começa a demonstrar um comportamento descontrolado e obsessivo, fazendo da vida do ex-parceiro um verdadeiro inferno.

– Ligações Perigosas (1988)

Logo depois de “Atração Fatal”, Glenn Close emplacou outro sucesso da carreira, o drama de época “Ligações Perigosas”, baseado no romance de Choderlos de Laclos. No longa, ao lado do Visconde de Valmont (John Malkovich), a Marquesa de Merteuil (Glenn) usa uma série de cartas para criar uma trama de sedução que envolve uma jovem, vivida pela atriz Michelle Pfeiffer. Apesar de novamente indicada ao Oscar, Glenn Close não foi premiada pela personagem na ocasião. Quem levou a estatueta foi Jodie Foster, pelo desempenho em “Acusados”.

– Albert Nobbs (2011)

Mostrando versatilidade, Glenn Close fez um trabalho forte e bonito em “Albert Nobbs”. Ela interpretava uma mulher que assumia uma identidade masculina para trabalhar como garçom e, assim, sobreviver na Irlanda do século 19. Depois de décadas sustentando a farsa, uma paixão ameaça destruir todos os segredos que ela lutou para esconder. O papel rendeu uma indicação ao Oscar para Glenn Close, mas ela acabou superada por Meryl Streep, que, na ocasião, levava a terceira estatueta da carreira. Enquanto isso, a estrela de “Albert Nobbs” acumulava a sexta indicação sem nunca ter levado nada.

– A Esposa (2018)

Nunca Glenn Close esteve tão perto de um Oscar como em “A Esposa”, longa que traz a atriz como a mulher de um vencedor do prêmio Nobel de Literatura que é alvo de constantes atitudes machistas, que subestimam as capacidades dela. Depois de sofrer inúmeras humilhações e de se anular para deixar o marido prosperar, a personagem sofre uma reviravolta que a faz confrontar todas as decisões tomadas anteriormente. Vivendo uma personagem muito difícil, que precisa dosar as emoções e, muitas vezes, passar impressões contrárias ao que está sendo dito, Glenn Close faturou quase todos os prêmios da temporada, como o Globo de Ouro e o SAG Awards. Por conta disso, a vitória no Oscar já era dada como certa, mas a Academia preferiu Olivia Colmam, que viveu a rainha Anne de “A Favorita”.

AMY ADAMS

– Dúvida (2008)

Ingênua e bem-intencionada, a personagem de Amy Adams é uma das forças do filme “Dúvida”, que também traz, no elenco, Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Viola Davis. No longa, a jovem irmã James suspeita de que o padre Flynn (Hoffman) esteja dando atenção demais a um aluno da escola administrada pelas freiras. Ela expõe essa percepção à diretora, irmã Aloysius (Meryl), que passa a dedicar todo o tempo livre a tentar provar que há algo errado com as intenções do padre, que estaria abusando do garoto. Em um elenco desse calibre, Amy Adams se impõe na história, mesmo com delicadeza, e impressiona. Pelo papel, a atriz chegou a ser indicada ao Oscar, mas perdeu para Penélope Cruz, que fez “Vicky Cristina Barcelona”.

– O Mestre (2012)

Paul Thomas Anderson é um dos diretores mais interessantes em atividade e já trabalhou com Amy Adams em “O Mestre”. O filme traz o ator Joaquin Phoenix no papel de um soldado, traumatizado pela Segunda Guerra Mundial, que passa a seguir Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), um líder espiritual que funda uma nova religião. Mergulhando de cabeça nos ensinamentos, o soldado passa a conviver com a família de Dodd, mas a dedicação dele com “A Causa” provoca alguns atritos, inclusive com a esposa do líder religioso, vivida por Amy Adams, que foi indicada ao Oscar pela personagem. Mais uma vez, ela perdeu a estatueta e viu Anne Hathaway ser escolhida como a melhor atriz coadjuvante por “Os Miseráveis”.

– A Chegada (2016)

Esse talvez seja um dos melhores trabalhos de Amy Adams no cinema, mas, surpreendentemente, a atriz nem foi lembrada no Oscar pela protagonista de “A Chegada”. Na ficção científica do diretor Denis Villeneuve, ela vive uma especialista em linguística que é recrutada para tentar fazer contato com alienígenas que vieram à Terra em naves que pousaram em diversas partes do planeta. O trabalho para decifrar a comunicação dos extraterrestres é árdua, mas a profissional não desiste até descobrir o verdadeiro sentido para aquela visita, que pode ter um significado especial para o futuro. É inexplicável que Amy Adams tenha ficado de fora das indicações ao Oscar de melhor atriz no ano em que Emma Stone venceu por “La La Land”. Ela merecia, pelo menos, ter tido esse gosto.

– Vice (2018)

É bem verdade que Amy Adams tem pouco espaço em “Vice”, que conta a trajetória do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. Também é verdade que o páreo, neste ano, estava duro e a atriz acabou acumulando mais uma derrota no Oscar ao perder a estatueta de coadjuvante para Regina King, de “Se a Rua Beale Falasse”. Amy Adams não faz feio e deixa uma marca em todas as sequências de “Vice” em que aparece. Seja em um diálogo shakespeariano sobre poder ou em uma conversa informal com o protagonista, Amy mostra toda a força da influência de Lynne, a esposa do ex-vice-presidente que compartilha ambições com ele. Em um tom mais duro do que em trabalhos anteriores, a atriz fez bonito, ainda que o Oscar tenha ficado para outra oportunidade.

Deixe um comentário