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“Os Irregulares de Baker Street” destaca coadjuvantes e rejuvenesce obra de autor

Até mesmo um investigador genial como Sherlock Holmes tem limitações, lugares que não consegue acessar. Pensando nisso, o autor Arthur Conan Doyle colocou, em alguns livros do personagem, um grupo de jovens que circula facilmente pelas ruas e consegue colher informações em ambientes onde o detetive e John Watson chamariam muita atenção. “Os Irregulares de Baker Street”, série lançada recentemente pela Netflix, parte desses personagens coadjuvantes para apresentar uma versão mais rejuvenescida da obra de Doyle.

Em “Os Irregulares de Baker Street”, Bea (Thaddea Graham) e a irmã Jessie (Darci Shaw) vivem juntas em um porão e se viram como podem para sobreviver depois de terem passado por um orfanato. Elas têm a companhia de Billy (Jojo Macari) e Spike (McKell David), adolescentes com uma história parecida. Logo, quem se junta a eles é Leopold (Harrison Osterfield), o filho da rainha Vitória que foge do palácio para se livrar da constante vigilância.

O grupo é procurado por Watson (Royce Pierreson) para desvendar uma série de eventos sobrenaturais que ocorrem naquela Londres do século 19. Todo contato com os adolescentes é feito pelo personagem, que mantém Holmes (Henry Lloyd-Hughes) afastado da investigação. Ele deixa claro que Jessie é uma peça fundamental para o caso, já que a garota conta com habilidades especiais.

Não demora para que os adolescentes descubram que pessoas estão adquirindo poderes a partir de uma fenda que ameaça extinguir a linha que separa os mundos real e sobrenatural. Essa, no entanto, não é a única investigação feita pelo grupo, que também tenta descobrir as intenções da dupla de detetives com o caso.

“Os Irregulares de Baker Street” acerta ao trazer personagens coadjuvantes do universo de Arthur Conan Doyle para o centro da ação. Além do frescor que isso traz, fica clara a proposta de levar a obra do autor para um público mais jovem. De certa forma, essa opção também tira o peso da produção de ser encarada como mais uma releitura de Sherlock Holmes, que, agora, fica estrategicamente em segundo plano e até demora a aparecer na tela.

Divulgação/Netflix

No início, pensava que colocar o grupo para solucionar casos sobrenaturais poderia tornar a série menos interessante, mas isso foi ficando para trás ao longo dos episódios. Os poderes e os monstros se encaixam perfeitamente na proposta, sem desrespeitar a tradição que acompanha as adaptações da obra de Doyle.

Não há nenhuma novidade nos conflitos pessoais dos adolescentes investigadores, mas esse é um problema compensado pelo carisma dos personagens. Cada um tem uma função para a história e o conjunto funciona muito bem. Também é interessante a forma como a série retrata Watson, que aparece em uma versão mais carrancuda do que estamos habituados a ver. Não há, ainda, ousadia alguma na construção de Holmes, que já teve as mesmas facetas de perturbação e vício em drogas abordadas em outras produções.

Em relação ao elenco, é preciso destacar o trabalho de Thaddea Graham, uma presença marcante e fácil de gostar. Royce Pierreson, incumbido desse Watson mais sisudo; Harrison Osterfield; e Clarke Peters, que dá vida a um homem misterioso que aparece nos sonhos de Jessie, também chamam atenção.

“Os Irregulares de Baker Street” é uma série leve e despretensiosa, que rende uma maratona agradável. A tentativa de rejuvenescer a obra de Doyle traz personagens coadjuvantes para o primeiro plano e é capaz de aguçar a curiosidade de um público mais jovem pelas clássicas histórias de investigação de Holmes e Watson.

OS IRREGULARES DE BAKER STREET (primeira temporada)

ONDE: Netflix (todos os episódios disponíveis)

COTAÇÃO: ★★★ (boa)

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