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“The Masked Singer Brasil” e a diversão sem culpa

Este texto precisa começar com uma confissão. Quando a TV Globo começou a anunciar a estreia da versão brasileira de “The Masked Singer”, confesso, me apressei em julgar a atração. Desconhecia o formato, explorado em diversos países, e, levando em conta os poucos detalhes divulgados até então, pensei que aquilo era uma bobagem, uma completa perda de tempo. A curiosidade me levou a vídeos de outros países, que foram consumidos um atrás do outro, e, após a terceira semana de exibição por aqui, tenho que admitir: eu estava errado.

“The Masked Singer Brasil”, apresentado pela cantora Ivete Sangalo nas noites de terça-feira, é uma diversão muito bem-vinda. Eu diria mais: também é muito necessária para esse momento. A proposta simples de assistir artistas mascarados cantando para um corpo de jurados, os que estão no palco e no sofá, funciona surpreendentemente bem e de maneira instantânea.

A cada semana, aqueles que tiverem o pior desempenho são eliminados e revelam as identidades ao público. Já foram eliminados: o cantor Sidney Magal, que não conseguiu disfarçar que era ele; a jornalista Renata Ceribelli; e o ex-jogador Marcelinho Carioca. Esses dois últimos pegaram os jurados e o público de surpresa.

Criado a partir de uma ideia e regras ridiculamente simplórias, “The Masked Singer Brasil” acaba sendo um entretenimento inesperado. O formato envolve o espectador, que, quase sem perceber, começa a palpitar sobre a identidade dos participantes, ficando atentos às dicas divulgadas e às performances dos mascarados. Vira uma diversão em família no fim da noite, uma vez que o apelo popular da atração atinge diversos públicos, independente de classe ou faixa etária.

Divulgação/TV Globo

Além do capricho da produção, é preciso dizer a boa escolha dos jurados também agrega ao programa. Taís Araújo, Simone, Eduardo Sterblitch e Rodrigo Lombardi entraram de cabeça na brincadeira e aparecem muito à vontade. A segurança e o carisma de Ivete Sangalo na apresentação contam pontos a favor.

Mesmo diante de tudo isso, há quem torça o nariz para o programa utilizando o argumento de que ele não acrescenta nada. Gostar ou não é direito de cada um, óbvio, mas preciso discordar dessa afirmação. O dia a dia das pessoas anda tão pesado, tão difícil, que o fato de elas simplesmente encontrarem um pouco de divertimento em frente à TV, com um programa como esse, já é uma grande contribuição. Talvez não mude a vida delas, mas alivia muito.

“The Masked Singer Brasil” é um pouco brega, não engrandece o intelecto de ninguém (essa nem é uma pretensão do programa), mas é um entretenimento honesto e muito oportuno. A atração estimula uma interação entre as pessoas que assistem juntas e nas redes sociais, tem um formato de fácil compreensão e diverte instantaneamente. Não tente procurar justificativas elaboradas para gostar, não se sinta culpado. Aproveite simplesmente. E, antes que eu me esqueça: alguém sabe quem é aquele Astronauta?

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