Sucesso escrito por Glória Perez e dirigido por Jayme Monjardim, a novela “O Clone” foi anunciada pela TV Globo como a substituta de “Ti Ti Ti” no “Vale a Pena Ver de Novo”, a partir de 4 de outubro. A escolha da emissora não chega a ser uma surpresa, especialmente se considerarmos fatores como audiência e a comemoração dos 20 anos da exibição em horário nobre.
“O Clone” pode ser vista como uma opção segura para o canal. Ter uma novela já considerada clássica na faixa pode contribuir para o crescimento da audiência no período da tarde. “Ti Ti Ti”, no ar atualmente, não repete o sucesso que fez no horário das 19 horas e sofre diversos cortes para reduzir o tempo da reprise. Há, no entanto, sempre a chance de o plano falhar. “Belíssima”, “Cheias de Charme” e “Celebridade” são alguns exemplos recentes de folhetins bem-sucedidos que não conseguiram empolgar o público no “Vale a Pena Ver de Novo”.
A trama de Glória Perez completa, em outubro, duas décadas da exibição original, o que também pode explicar a escolha. Com isso, a emissora repete a estratégia usada em 2011, quando reprisou “O Clone” na faixa vespertina para celebrar os 10 anos da novela.
Há, entretanto, um detalhe que pode impactar no interesse do público pela reexibição do folhetim. Há pouco mais de um ano, “O Clone” foi reprisada no canal Viva, também com sucesso. Recentemente, a novela também foi disponibilizada na íntegra no catálogo do Globoplay. É bem verdade que uma reprise em TV aberta atinge um público mais amplo, uma vez que nem todos têm acesso a serviços de streaming e canais por assinatura, mas é um ponto que vai jogar contra.
“O Clone” está longe de ser uma escolha ruim para o “Vale a Pena Ver de Novo”, afinal, é um êxito incontestável da nossa teledramaturgia e vem acompanhada de uma expectativa de audiência que pode recuperar a faixa. Porém, também acaba sendo uma opção óbvia e que empolga pouco. A TV Globo tem outras boas opções no acervo que trariam alguma novidade para o horário. A seguir, oito folhetins que mereciam reprise antes de uma segunda reexibição da história de Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benício).

– A Favorita (2008)
Estreia de João Emanuel Carneiro no horário nobre, “A Favorita” começou sem revelar ao público quem era a mocinha e a vilã. Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Cláudia Raia) tinham comportamentos dúbios e contavam versões diferentes sobre um crime que as unia. O público não respondeu bem à novidade, mas logo a verdade foi revelada e a trama emplacou. O folhetim, que está disponível no Globoplay, nunca ganhou uma reprise, mas sempre aparece entre os pedidos dos fãs do gênero.

– Insensato Coração (2011)
A trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares não chegou a ser um fenômeno de audiência quando foi exibida originalmente, mas tinha muitas qualidades. Os capítulos eram ágeis, com muitas reviravoltas na história, e o elenco tinha ótimos nomes. A história de amor de Pedro (Eriberto Leão) e Marina (Paolla Oliveira); os golpes do vilão Léo (Gabriel Braga Nunes); e a vingança de Norma (Glória Pires) eram os pilares do folhetim, que ainda não foi reprisado na TV.

– Lado a Lado (2012)
Novela de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, “Lado a Lado” venceu, em 2013, o Emmy Internacional de melhor novela. Caprichada, a trama falou sobre a vida no Rio de Janeiro na primeira década após a instauração da República, no início do século 20. O surgimento das favelas, a introdução do futebol no país e o início do samba foram abordados na novela. Além dos quatro protagonistas (Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Thiago Fragoso e Marjorie Estiano), um dos destaques da trama foi Patrícia Pillar, que viveu a vilã Constância, que baronesa decadente.

– Páginas da Vida (2006)
Conflitos familiares, questões de relevância social e o Leblon. Sempre presentes na obra de Manoel Carlos, esses ingredientes também marcaram “Páginas da Vida”. No centro do folhetim estava Nanda (Fernanda Vasconcellos), jovem que fica grávida e dá a luz após ser atropelada por um ônibus. A personagem não resiste, mas um casal de gêmeos nasce. A menina, que tinha síndrome de Down, é rejeitada por Marta (Lilia Cabral), a avó, e adotada por Helena (Regina Duarte), a médica que fez o parto. Apesar de constantemente citada pelo público como uma boa opção para o “Vale a Pena Ver de Novo”, nunca foi reexibida.

– Vale Tudo (1988)
Já reapresentada no canal Viva e disponível no Globoplay, esse clássico da teledramaturgia brasileira é considerado “velho demais” para a faixa vespertina da TV Globo, que costuma reprisar tramas mais recentes. Mesmo assim, as discussões atemporais sobre ética e os personagens marcantes poderiam ser um atrativo, inclusive para novos públicos. De quebra, a reprise de “Vale Tudo” também traria de volta uma das vilãs mais emblemáticas de todos os tempos: Odete Roitman (Beatriz Segall).

– Sangue Bom (2013)
Seria muito improvável que a escolhida para substituir “Ti Ti Ti” fosse uma trama dos mesmos autores, mas rever esse êxito de Maria Adelaida Amaral e Vincent Villari agradaria muito. Leve e divertida, a novela girava em torno de seis jovens e os conflitos que surgiam dos relacionamentos entre eles. Personagens carismáticos, interpretados por um belo elenco, davam uma “cor” diferente para esse folhetim, que merece muito uma reprise.

– Escrito nas Estrelas (2010)
Escrita por Elizabeth Jhin, essa novela, exibida originalmente às 18 horas, teve a espiritualidade como tema central. Daniel (Jayme Matarazzo) morre em um acidente e esse episódio aproxima o pai dele, Ricardo (Humberto Martins), de Viviane (Nathalia Dill), que ele tinha conhecido pouco antes de morrer. “Escrito nas Estrelas” agradou o público e tem qualidades que credenciam a novela para uma reexibição no “Vale a Pena Ver de Novo”.

– Cama de Gato (2009)
Depois da adaptação de “O Profeta”, uma novela de Ivani Ribeiro, a dupla de autoras Duca Rachid e Thelma Guedes investiu na história sobre um Gustavo Brandão (Marcos Palmeira), empresário que, vítima de uma armação, é dado como morto. Ele passa por uma transformação, deixa de lado o jeito arrogante e encontra o amor em Rose (Camila Pitanga), a faxineira da fábrica de perfumes dele. Com narrativa ágil e bons personagens, “Cama de Gato” também seria uma boa opção de reprise.
