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“O Espião Inglês” envolve espectador em tensão da Guerra Fria

A Guerra Fria é, por motivos óbvios, cenário para muitas histórias de espionagem no cinema. A atmosfera que envolveu o conflito entre Estados Unidos e União Soviética por mais de quatro décadas costuma intrigar o imaginário de muitos espectadores fascinados por disfarces, traições e planos mirabolantes. “O Espião Inglês”, filme disponível no Amazon Prime Video, captura a atenção de quem assiste justamente por conseguir transmitir uma noção da tensão que havia nesse período.

Greville Wynne (Benedict Cumberbatch) trabalha como vendedor e é procurado pelo Serviço Secreto Britânico e pela CIA para fazer contato com Oleg Penkovsky (Merab Ninidze), um traidor dos soviéticos com acesso privilegiado aos planos de instalação de mísseis nucleares em território cubano. O episódio, conhecido como “Crise dos Mísseis”, é considerado um dos momentos mais tensos entre os países, especialmente pela possibilidade de o território norte-americano ser atingido rapidamente por essas armas.

Escolhido por fazer negócios no leste europeu e parecer alguém que não inspiraria suspeitas, Wynne é orientado pela agente Emily Donovan (Rachel Brosnahan) para levar e trazer informações sem chamar a atenção da União Soviética. Fingindo uma relação de trabalho, o vendedor e Penkovsky criam um laço e se arriscam para fornecer dados sobre os planos soviéticos.

Para preservar a família, Wynne esconde da esposa Sheila (Jessie Buckley) os reais motivos da viagem, o que acaba criando uma crise no casamento. As preocupações do vendedor, no entanto, vão além dos problemas conjugais, já que, mesmo tomando todos os cuidados, a União Soviética passa a suspeitar das constantes visitas a Penkovsky.

Divulgação

Baseado em eventos reais, “O Espião Inglês”, um péssimo título em português para o original “The Courier”, não demora a envolver o espectador na tensão que pairava sobre aqueles que viviam intensamente o conflito entre as duas potências. Wynne é avisado de que não pode confiar em ninguém em solo soviético e que precisa tomar cuidado, inclusive, com a forma como age no país. Todo esse clima de constante vigilância e desconfiança é transmitido facilmente para quem assiste e conduz toda a experiência que o filme se propõe a criar.

A forma como o roteiro é estruturado e a direção de Dominic Cooke é conduzida deixam evidente que “O Espião Inglês” é uma produção tipicamente britânica. O longa tem uma narrativa tradicional, correta, mas que não deixa espaço para ousadias. Ao mesmo tempo que essa característica garante qualidades, também deixa a sensação de que falta alguma novidade.

Mais uma vez, Benedict Cumberbatch se destaca em um papel e reforça a própria versatilidade, que o faz transitar muito bem entre os mais diferentes gêneros e personagens. Parte da tensão que o espectador sente vem do desempenho do ator, que transmite toda a insegurança que o vendedor sente nas viagens para a União Soviética. Merab Ninidze também faz um belo trabalho emprestando carisma ao traidor que fornece informações aos inimigos dos soviéticos.

Moldado por um estilo britânico de fazer cinema, preciso e sem inovações, “O Espião Inglês” envolve o espectador de tal maneira na tensão da Guerra Fria que, na maior parte do tempo, quem assiste se sente inserido na ação e influenciado pela insegurança que paira no ar. Se o clima de desconfiança dominar a experiência, confie no talento de Benedict Cumberbatch, que não falha na função de garantir o melhor.

O ESPIÃO INGLÊS

ONDE: Amazon Prime Video

COTAÇÃO: ★★★ (bom)

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