Listas, Novelas

“Um Lugar ao Sol” e os gêmeos das novelas

Já estão no ar as primeiras chamadas de “Um Lugar ao Sol”, próxima novela das 21 horas, da TV Globo. Estreia da autora Lícia Manzo no horário nobre, depois das bem-sucedidas “A Vida da Gente” e “Sete Vidas”, na faixa das 18 horas, a trama vai reaproveitar um elemento que costuma funcionar nos folhetins: gêmeos.

Cauã Reymond dará vida aos irmãos Renato e Christian, criados sem saber da existência um do outro. Após a descoberta de que foram separados ainda crianças, Renato morre e Christian assume o lugar do gêmeo. A partir daí, o personagem, que cresceu em uma realidade completamente diferente, tem que lidar com as consequências da escolha que fez.

Ter gêmeos em uma história não é invenção ou exclusividade das novelas. A literatura e o teatro também já exploraram enredos conduzidos por esses personagens. “Os Menecmos”, de Plauto, e “A Comédia dos Erros”, de William Shakespeare, são peças clássicas que têm irmãos idênticos no centro da ação. A segunda, inclusive, busca inspiração na primeira, acrescentando novos elementos.

O melodrama e, por consequência, as telenovelas incorporaram os gêmeos e os conflitos que surgem da relação entre eles. Os duplos são personagens usados para explorar dualidades e contrapontos em uma narrativa. O fato de serem idênticos na aparência e completamente opostos na personalidade também causa fascínio por levantar, ainda que de forma implícita, questões relacionadas às complexidades do ser humano, que é uma moeda de duas faces.

“Um Lugar ao Sol”, que estreia em novembro, vai percorrer um caminho já pavimentado por diversos outros folhetins que contaram histórias de gêmeos na TV. Vale a pena lembrar de alguns deles:

Ruth e Raquel, de “Mulheres de Areia” – Divulgação/TV Globo

– Mulheres de Areia (1993)

A novela, escrita por Ivani Ribeiro, é um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira. Na primeira versão, levada ao ar pela TV Tupi, em 1973, Eva Wilma viveu as gêmeas Ruth e Raquel. Vinte anos depois, o folhetim ganhou uma nova edição na TV Globo, com Glória Pires interpretando as irmãs. Ruth chega a Pontal D´Areia e logo é confundida com a irmã, por quem os moradores da cidade fictícia não têm nenhuma simpatia. Raquel considera um esporte infernizar a vida de Tonho da Lua (Marcos Frota) e não demora a se interessar por Marcos (Guilherme Fontes), um rico empresário que se apaixona pela gêmea boa. A vilã consegue casar com o namorado da irmã e, em determinado momento, é dada como morta em um acidente. Isso faz Ruth assumir o lugar de Raquel para ficar ao lado de Marcos. Tamanho é o êxito dessa história que os nomes das personagens viraram praticamente um sinônimo para gêmeos.

Paula e Taís, de “Paraíso Tropical” – Divulgação/TV Globo

– Paraíso Tropical (2007)

Em reprise no canal Viva, a trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares começa sem que Paula saiba da existência de Taís, ambas vividas por Alessandra Negrini. As gêmeas só se encontram depois que Amélia (Suzana Vieira), mãe de criação de Paula, revela que a filha tem um avô, Isidoro (Othon Bastos). É através dele e de uma descoberta feita por Daniel (Fábio Assunção) que a mocinha conhece a irmã. Má e ambiciosa, Taís se interessa por Daniel e se empenha em fazê-lo terminar o relacionamento com Paula. Perto do fim da novela, Taís é assassinada e diversos personagens viram suspeitos de cometer o crime, afinal, não faltavam desafetos para a gêmea má.

Miguel e Jorge, de “Viver a Vida” – Divulgação/TV Globo

– Viver a Vida (2009)

Miguel e Jorge, interpretados por Mateus Solano, não eram os protagonistas, mas ganharam muito destaque na novela de Manoel Carlos. Jorge, sisudo e introspectivo, namorava com Luciana (Alinne Moraes), modelo que sofre um acidente em Petra, na Jordânia. Na volta, a personagem rompe com ele e se apaixona por Miguel, mais extrovertido e menos certinho. O interesse pela mesma mulher causa muitos conflitos entre os irmãos ao longo da trama. Durante o tratamento de Luciana, por exemplo, que fica tetraplégica por conta do acidente, Miguel, que é médico, se empenha na recuperação dela, mas é ameaçado pelo irmão de ser denunciado ao Conselho Federal de Medicina sob acusação de ter se aproveitado da condição frágil da paciente.

Vivi e Fernanda, de “Cara & Coroa” – Divulgação/TV Globo

– Cara & Coroa (1995)

Christiane Torloni viveu Fernanda e Vivi, mulheres idênticas que se conhecem na cadeia. Na trama de Antonio Calmon, as duas não ficam presas juntas por muito tempo. Fernanda, que tinha sido condenada por tentar matar o marido e vitimar outro homem, sofre um derrame e os vilões da história, Mauro (Miguel Falabella) e Heloísa (Maitê Proença), armam para que Vivi assuma a identidade dela. Mesmo com uma lente de contato azul e um novo corte de cabelo, Vivi não muda o temperamento e é obrigada a lidar com os problemas deixados por Fernanda, que se recupera e volta para acabar com a farsa.

João Victor e Quinzinho, de “Baila Comigo” – Divulgação/TV Globo

– Baila Comigo (1981)

Filhos de Helena (Lilian Lemmertz), a primeira de uma série de protagonistas com esse nome criadas por Manoel Carlos, Quinzinho e João Victor, papéis de Tony Ramos, crescem sem saber um do outro. João Victor é criado pelo pai, Joaquim (Raul Cortez), que é casado e não quer deixar a esposa para assumir a relação com Helena, que fica com Quinzinho. Quando completa 27 anos, João Victor, que morava em Portugal, volta ao Brasil em busca das próprias origens. A cena em que os gêmeos ficam frente a frente pela primeira vez, que só acontece no fim da trama, é uma das mais famosas da nossa teledramaturgia.

Paco e Apolo, de “Da Cor do Pecado” – Divulgação/TV Globo

– Da Cor do Pecado (2004)

Paco (Reynaldo Gianecchini) é filho do empresário Afonso Lambertini (Lima Duarte) e, depois de ser dado como morto, assume a identidade de Apolo, que desaparece no mar durante uma viagem de barco com o irmão Ulisses (Leonardo Brício). Fingindo ser o irmão, Paco descobre que é filho biológico de Edilásia (Rosi Campos) e até volta a se envolver com Preta (Taís Araújo), por quem ele foi apaixonado antes de tomar o lugar de Apolo, que reaparece no fim da trama. Depois de descobrir a farsa, Afonso é assassinado e Paco é acusado de cometer o crime.

Maria Alves e Maria Dusá, de “Maria, Maria” – Divulgação/TV Globo

– Maria, Maria (1978)

Baseado no romance de Lindolfo Rocha, o folhetim de Manoel Carlos se passa no século 19 e envolve Maria Alves e Maria Dusá, interpretadas por Nívea Maria, irmãs idênticas que não se conhecem. Vivendo na pobreza, o pai de Maria Alves oferece a filha ao tropeiro Ricardo Brandão (Cláudio Cavalcanti) em troca de mantimentos. Brandão se apaixona e não obriga a jovem a ir embora com ele. Mais adiante, ele conhece Maria Dusá, que vive em uma condição social diferente da irmã gêmea. “Maria, Maria” foi a primeira telenovela escrita por Manoel Carlos, que já tinha feito teleteatros, programas musicais, humorísticos e o “Fantástico”.

Lucas e Diogo, de “O Clone” – Divulgação/TV Globo

– O Clone (2001)

Novela de Glória Perez, em reapresentação no “Vale a Pena Ver de Novo”, “O Clone” começa mostrando a relação dos irmãos Lucas e Diogo, papéis de Murilo Benício. Mesmo com personalidades opostas, os gêmeos mantêm um bom relacionamento. A morte de Diogo, no entanto, abala a família e faz com que Lucas vire o sucessor natural dos negócios do patriarca, Leônidas (Reginaldo Faria), Para tentar trazer Diogo de volta, Albieri (Juca de Oliveira), padrinho dos gêmeos, decide clonar Lucas e, assim, nasce Léo. A clonagem desencadeia uma briga judicial entre Leônidas e Deusa (Adriana Lessa), a mulher que gerou o clone, e um debate ético sobre a experiência.

Denizard e Paulo, de “O Outro” – Divulgação/TV Globo

– O Outro (1987)

Francisco Cuoco interpreta Paulo Della Santa, um empresário rico, e Denizard de Matos, dono de um ferro-velho no subúrbio do Rio de Janeiro. Os dois são incrivelmente semelhantes, mas nunca se viram. Na explosão de um posto de gasolina, Paulo é dado como morto e Denizart é confundido com ele. Com amnésia, Denizart assume o lugar do sósia e, consequentemente, os negócios da família. Paulo só reaparece nos últimos capítulos e esclarece a troca. “O Outro” foi assinada por Aguinaldo Silva e teve como referências o livro “O Duplo”, de Fiódor Dostoiévski, e o filme “O Terceiro Homem”, dirigido por Carol Reed.

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