Muitos fãs de “Star Wars” consideravam há tempos que Boba Fett deveria ganhar uma história solo que desenvolvesse melhor as nuances do personagem, até então tratado como uma figura eventual nos produtos derivados da saga de George Lucas. De fato, o caçador de recompensas tem características e possibilidades interessantes a serem exploradas, mas todo esse potencial foi desperdiçado em “O Livro de Boba Fett”, disponível no Disney+.
Em sete episódios, a série acompanha Boba Fett (Temuera Morrison) em dois momentos. O primeiro mostra o personagem sobrevivendo ao Sarlacc, depois de cair na cova da criatura, e ficando sem a armadura mandaloriana que ostentava. Livre do monstro, ele acaba nas mãos dos Tuskens, povo que vive no deserto de Tatooine. Não demora para que o protagonista conquiste a confiança do grupo e passe a defendê-lo.
A história também se desenvolve em um período posterior à convivência com os Tuskens, quando Boba Fett reivindica o comando do território antes comandado por Jabba the Hutt. Contando com a lealdade de Fennec Shand (Ming-na Wen), o protagonista enfrenta o prefeito de Mos Espa, integrantes do clã Hutt e os mercenários do Sindicato Pyke, que contestam a posição de “daimyo” assumida por Fett.
Nos primeiros episódios, “O Livro de Boba Fett” divide a narrativa entre esses momentos da trajetória do personagem. Os flashbacks aparecem sempre que o protagonista entra em uma câmara de recuperação, recurso nada criativo e que estabelece uma dinâmica previsível e monótona à história, que também perde tempo demais em acontecimentos que pouco acrescentam ao todo.

Curiosamente, a produção só desperta mais o interesse do espectador na reta final e isso se deve ao aparecimento de personagens de “The Mandalorian”. Além de trazer movimento à trama, essa inserção serve para deixar ainda mais evidente o quanto a proposta da série é pobre. A sensação é que a história de Boba Fett é um “pedágio”, algo que se deve suportar para chegar ao que, de fato, interessa.
O protagonista não é o único que tem o potencial desperdiçado. “O Livro de Boba Fett” também joga fora a chance de explorar Cad Bane, mercenário já visto na animação “Star Wars: A Guerra dos Clones”. O personagem, que tem uma ligação com Fett no desenho, surge apenas no fim da temporada e, novamente, boas possibilidades são completamente ignoradas pela equipe de criação. Até por isso, a participação especial, apesar de causar impacto, deixa muito a desejar.
Enquanto “The Mandalorian” se estabelece como um produto fundamental para a renovação do interesse do público por “Star Wars”, fazendo pela saga o que muitos filmes não conseguiram, “O Livro de Boba Fett” desperdiça um bom personagem e a chance de continuar essa expansão de universo.
Morosa, repetitiva e pouco criativa no início, a série só melhora quando a história de “The Mandalorian” passa a sustentá-la. Ditando o rumo dos episódios finais, essa “tábua de salvação” só deixa ainda mais evidente a visão limitada de projeto e a indiferença dos criadores com um personagem de muito potencial.
O LIVRO DE BOBA FETT
ONDE: Disney+
COTAÇÃO: ★★ (regular)
