Chega a ser frustrante quando uma série instigante e arrojada toma um rumo oposto. Depois de duas ótimas temporadas, “Westworld” teve um terceiro ano que, por pouco, não sacrificou tudo o que havia sido construído até então. A tentativa de simplificar a narrativa atingiu em cheio o vigor da história e isso quase comprometeu o futuro da produção. É muito bom constatar, agora, que esse mau momento ficou para trás.
Disponível na HBO Max, a quarta temporada de “Westworld” prova que é possível corrigir desvios de rota e voltar a empolgar. Funcionando como um renascimento, os novos episódios resgatam as origens da trama e tudo o que a série tinha de melhor: a narrativa não-linear, a profundidade e a capacidade de surpreender.
“Você já questionou a natureza da sua realidade?”. Recorrente nos dois primeiros anos, essa pergunta voltou a ganhar destaque na quarta temporada, que começa mostrando Maeve (Thandiwe Newton) vivendo reclusa e sendo caçada por Charlotte (Tessa Thompson) e pela versão anfitriã de William (Ed Harris). Assim como ela, outros estão sob a mira da dupla, inclusive Caleb (Aaron Paul).
Enquanto isso, Bernard (Jeffrey Wright), depois de passar anos desativado, desperta com a intenção de encontrar uma arma que pode impedir os planos de Charlotte. A anfitriã criada a partir de Dolores (Evan Rachel Wood) segue disposta a se vingar dos humanos e a criar uma sociedade que esteja sob o controle dela. No tempo que fica inativo, Bernard consegue acessar o Sublime, para onde as memórias dos anfitriões foram enviadas, e isso o faz visualizar inúmeras possibilidades de desfechos para o conflito.
A série também apresenta, nos novos episódios, Cristina (Evan Rachel Wood), que trabalha para a empresa de Charlotte escrevendo narrativas que ela acredita serem usadas em jogos. Um contato inesperado, no entanto, faz com que ela comece a perceber a realidade que está em volta e a real função que tem naquele mundo.

Quando parecia que “Westworld” seguiria por um caminho genérico e bem menos interessante, como ocorreu na terceira temporada, a série consegue se reerguer de forma gloriosa. Um dos acertos dos novos episódios é a retomada da narrativa não-linear. Agora, além da história não ser contada em ordem cronológica, o espectador também precisa ficar atento para entender se as tramas se passam na mesma realidade.
Além de recapturar a atenção do espectador com esse tipo de narrativa, “Westworld” volta a ter profundidade. Os enigmas e as questões filosóficas, que foram tão importantes nos dois primeiros anos, são retomados e têm funções essenciais para a condução da história. Os rumos da humanidade, as escolhas que fazemos e, até mesmo, se há tempo para nos corrigirmos estão entre as interrogações propostas.
Com os personagens experimentando novas posições na história, o elenco, mais uma vez, corresponde à altura. Evan Rachel Wood, com o desafio de retomar uma dinâmica já vista na série, consegue trazer elementos diferentes para mais esse despertar da personagem. Atores que estão na produção desde o início, como Ed Harris e Thandiwe Newton, reforçam o domínio que possuem dos tipos que interpretam e Aaron Paul é responsável por alguns dos momentos mais sensíveis da temporada.
Se você abandonou “Westworld” depois dos muitos tropeços da terceira temporada, fica aqui uma sugestão: dê mais uma chance à série. Mais do que corrigir os erros, a produção se reconecta às origens e retoma o vigor com uma narrativa instigante. Ao final de cada episódio, o espectador fica de boca aberta e com a mente embaralhada. Que bom que voltou a ser assim, isso é “Westworld”.
WESTWORLD (quarta temporada)
ONDE: HBO Max
COTAÇÃO: ★★★★ (ótima)
