As definições de apresentador e animador de televisão são frequentemente utilizadas como sinônimos e, de fato, elas se misturam em alguns aspectos. Há, no entanto, uma característica que permite enxergar perfeitamente o limite que as diferencia: a capacidade de contagiar.
Enquanto o apresentador, confortável na função de mestre de cerimônia, acaba por se colocar a uma distância regulamentar do público, o animador estabelece um contato direto com a audiência, que vê de casa ou do auditório, por conta da energia e autenticidade que imprime.
A televisão brasileira tem um histórico de grandes animadores. Chacrinha talvez tenha sido o maior de todos. Silvio Santos, com mais força nas décadas de 80 e 90; Gugu Liberato, no comando do “Domingo Legal”; e Fausto Silva, especialmente na época irreverente do “Perdidos na Noite”, também se encaixaram nessa categoria. Há uns bons anos, porém, a TV andava carente de figuras com carisma e disposição para exercer essa função. Isso mudou com a chegada de Marcos Mion à Globo.
Destaque na época da saudosa MTV Brasil, com o “Piores Clipes do Mundo”, Mion também se aventurou como ator e, na Record, apresentou programas como “Legendários” e “A Fazenda”. Agora, no comando do “Caldeirão”, percebemos claramente que ele saiu de um nicho e de projetos que não exploravam totalmente a capacidade dele para se estabelecer definitivamente como um grande comunicador.

Não é difícil perceber as qualidades que colocam Mion nessa categoria. Ao ligar no “Caldeirão com Mion”, aos sábados à tarde, vemos mais do que um apresentador que lê fichas e segue protocolos. Ali, no centro daquele palco, aparece uma figura que, pela espontaneidade e carisma, se conecta instantaneamente com o público e se imbui da tarefa de proporcionar divertimento ao espectador.
Sem se levar a sério ou se deslumbrar com a posição que conquistou, Mion prova que está ali para se divertir com os convidados, o auditório e o telespectador. No último sábado (4), por exemplo, o animador estreou o quadro “Toque de Caixa”, em que artistas tinham que usar apenas o tato para adivinhar o conteúdo de caixas. Eu sei, nem um pouco original. Programas dos anos 90 e 2000 faziam isso semanalmente, mas, no “Caldeirão”, a brincadeira ganhou novo vigor.
Mion provocava os convidados, morria de rir das reações deles ao que havia dentro das caixas e conseguia engajar o auditório e o público de casa na atração. É claro que também há um esforço de produção para renovar a brincadeira, mas o grande mérito é, sem dúvida, a condução do animador. E isso também é perceptível nos outros quadros, como “Tem ou Não Tem”, “Sobe o Som” e “Caldeirola”.
Todo animador precisa ser um apresentador, mas nem todo apresentador consegue ser um animador. O próprio uso do termo e a função na nossa TV estavam quase caindo em desuso, mas Marcos Mion vem resgatando a importância desse papel. Nessa nova fase na Globo e com uma bagagem variada, ocupando uma faixa na grade de programação que já foi de Chacrinha, ele tem conseguido reavivar o entusiasmo da audiência para ver televisão no sábado à tarde.
